Habitantes do Ventrículo Esquerdo e o Manjar Diminuto Em Banquete Gelado

Letra de Habitantes do Ventrículo Esquerdo e o Manjar Diminuto Em Banquete Gelado

Ano2020
Idioma originalPortuguês
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Letra original

PT
18
Como poeta era um ótimo filósofo E como filósofo um ótimo poeta Isso significa dizer que nunca foi bom Em nenhuma das duas coisas Mas a questão nunca foi ser bom Em alguma coisa, a única questão Que realmente importava, era ser Somente um rimante inescrupuloso Pode especular estrofes Sem receio de cair em prosa Um artífice premeditado da palavra Ou pós-ditado, aquele que diz Eis o ditador, um versenário Vil a cada oração Um expoeta que despétala, em camuflagem Sorrateira, até ser lido e desferir o bote, certeiro Inflamado, fatal, injetando antídoto Um mero ente, alterado Que em algum súbito relance, havia tido o todo Então ele constata Um milhão e meio de razões para ir Talvez uma ou meia motivações pra ficar Só tenho uma coisa a perder, a inspiração E se eu permanecer, ela se vai. Portanto Me vou, para que ela fique Espero um dia conseguir suportar a mim E quem sabe muito esperançoso Conviver comigo mesmo Não precisa ser esplêndido, mas às vezes é Não precisa ser formidável e magnífico, às vezes é Nossa ecolocalização capta Os cardumes fartos em espiral E o esquadrãovagalume Inda pulsa estridente Ela era do tipo persistente insistente Não deixaria que nada a deixasse esfriar Ela era tipo encrenqueira valente Ficaria com tudo ou nada iria bastar