Funeral da Coxilha

Letra de Funeral da Coxilha

Ano1999
GêneroNativista
Duração5:51
Idioma originalPortuguês
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Coordenadas da letra

Letra original

PT
18
Repousa o corpo tranquilo No funeral da coxilha Terra bordada em flexilha É o catre de quem retorna A tarde em comprida a forma Das guanxumas e alecrins Não há tristeza nem fim Na morte que o campo adorna Não há tristeza no pio Da perdiz ciscando a vida Não há fim quando há partida Vai se tornando chegada Quem foi de campo e de estrada Não quer melhor companhia Que o largo das sesmarias Do luxo de uma invernada Morreu num final de tarde Entre pasto rebrotado Quando uma ponta de gado Buscava a paz de algum capão A noite acende um clarão Prendendo velas miúdas Em dois olhos de coruja No castiçal de um moirão E o campo todo recebe Corpo e alma em funeral Se tornará cinza e sal Fundida com terra e água E o choro da madrugada Que entre seus pelos se entranha Dá brilho à teia da aranha Que a macega deu pousada Por isso que minha gente Jamais enterra um cavalo O campo sabe cuidá-lo Quando pra nós tudo encerra A natureza não erra Ressuscita na coxilha Nas flores da maçanilha Graça e força sobre a terra