Hospício Nacional

Letra de Hospício Nacional

GêneroMetal
Idioma originalPortuguês
Coordenadas da letra

Letra original

PT
18
Não perguntaram meu nome Só escreveram um número Roubaram minha voz Vestiram meu silêncio Aqui o inverno nunca termina Cobertores são privilégio A fome aprende meu rosto Enquanto Deus esquece o prédio Chamaram de tratamento Aquilo que era sentença Eletrochoque pra calar Toda forma de existência Louco Era quem lucrava com a dor Se a verdade tem paredes Elas ainda sangram Milhares entraram vivos Poucos saíram humanos Barbacena nunca acabou Só mudou de endereço Quando a miséria vira diagnóstico Toda vida perde o preço Hospício nacional Onde a vergonha veste branco Chamaram isso de ciência Enquanto cavavam outro barranco Filhos sem crime Mães sem pecado Pobres, negros Indesejados Quem amava diferente Quem falava demais Quem não tinha sobrenome Nunca voltou atrás A morte fazia plantão Sem precisar de uniforme A burocracia assinava Enquanto a cidade dorme Não foi erro Não foi excesso Foi projeto Cada corpo enterrado Foi um documento rasgado Barbacena nunca acabou Ela respira em cada abandono Quando a dignidade vale menos O hospício muda de nome Nunca mais Nunca mais Que a memória seja A última cela quebrada