Do Pobre B.B.

Do Pobre B.B. lyrics

Year2001
Duration5:52
Original languagePortuguese
Views1.7K
Lyrics coordinates

Original lyrics

PT
Translation not available yet. Showing the original lyrics.
18
Eu, Bertold Brecht, sou das negras florestas Minha mãe resolveu pelas cidades andar Comigo no ventre e o frio das florestas Até à morte me há-de acompanhar A minha casa é a cidade do asfalto Desde o início apetrechado com os sacramentos da morte Com jornais. E tabaco. E aguardente Desconfiado, sorna, e no fim com sorte Sou amável com as pessoas Até ponho chapéu de côco, como elas gostam de usar Digo: têm um cheiro especial estes bichos E digo: não faz mal, o meu não é melhor Nas minhas cadeiras de baloiço, de manhã, Às vezes um bando de mulheres faço sentar E olho para elas descuidado e digo: Com este aqui não podem vocês contar À noitinha reuno homens à minha volta Por "gentlemen" nos vamos tratando Eles põem os pés nas minhas mesas E dizem: vamos melhorar... e eu nem pergunto: quando? Cedinho ainda, no pardo amanhecer, os abetos mijam E a passarada, os seus parasitas, começa a gritar A essa hora bebo um último copo na cidade E deito fora a beata e, inquieto, vou-me deitar... Fomos vivendo, nós, leviana geração Em casas tidas por indestrutíveis (Assim construímos os altos caixotes da ilha de Manhattan E, para divertir o atlântico, as antenas flexíveis) Destas cidades ficará o que as atravessou: o vento! A casa alegra quem come... e a esvazia Sabemos que somos meros transeuntes O que depois virá é de pouca valia Nos terramotos que aí vêm, espero, Não vou deixar apagar o meu virgínia amargurado Eu, Bertold Brecht, filho das negras florestas p'rás cidades de asfalto, E, em tempos no ventre de minha mãe, p'ra aí lançado