Filhos da Pátria

Filhos da Pátria lyrics

Year2014
Duration4:04
Original languagePortuguese
Views16.6K
Lyrics coordinates

Original lyrics

PT
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Eu sou o que sobrou da Amazônia, a colônia despedaçada Sou aquilo que resta da floresta desmatada O ouro, o troco, o tudo e o nada O cafuzo e o caboclo, eu sou um pouco de cada Eu sou as mãos na enxada e os pés na lavoura A herança deixada pela exploração devastadora Terra abençoada pelo plantio Banhada de rios, matas no cio, negros nagôs e navios Eu sou caravelas em caravanas com caras maus Caras-pálidas com carabinas trazendo caos A senzala, o quilombo e o palácio O Cabral, Dom Pedro e José Bonifácio Sou o senhor de engenho e a não reforma agrária Sou aquilo que eu tenho na minha conta bancaria O fracasso das capitanias hereditárias Garrincha entortando zagueiros dentro da área Um pedaço do tratado de Tordesilhas A mão que tira, mas também sou a que compartilha Eu sou a força dessa gente Que mesmo sem perna ainda tenta caminhar pra frente Eu sou Eu sou Brasil, eu sou a pátria mãe gentil A pátria que te pariu, que te pariu, eu sou Brasil Eu sou o samba, a mulata, o quadril Eu sou o preço da prata tão vil Eu sou aquele que mata de terno e gravata E sem precisar de um fuzil Eu sou a educação por um fio (eu sou) Eu sou o inverno sem frio Eu sou eu sou brasileiro Um povo herdeiro daquele 22 de abril Eu sou um erro que não se conserta A ferida aberta em carne viva Uma descoberta lucrativa Sou Patativa, Tarsila do Amaral Mais de 500 anos de um problema social A sina da pele preta, perneta, Pelé Ou apelar pra escopeta pra se ter o que quer Pra não terminar na sarjeta como um qualquer Ou dentro duma gaveta com uma etiqueta no pé Sou um legado infeliz, Machado de Assis A locomotriz dessa louca matriz Descentes Zulus e Zumbis, meretriz Com a mania de achar que aqui é Paris E zombar da raiz, dizimar Kaiowas, Guaranis Estão sós Kaiapós, Kariris Fica a atroz cicatriz, nem Funai nem Green Peace Óh meu pai o que eu fiz, perdoai meu país Vai sem paz diretriz, aqui jaz o juiz Vai por cima das leis debaixo do nariz Meu Brasil, verás que um filho teu não foge a luta Da terra de ninguém, eu sou mais um filho da pátria Eu sou Brasil, eu sou a pátria mãe gentil A pátria que te pariu, que te pariu, eu sou Brasil Eu sou a desigualdade hostil, eu sou a mortalidade infantil Eu sou a inadimplência, a incompetência, desobediência civil Eu sou de fato um retrato sombrio Eu sou um preto de prato vazio Eu sou a intolerância, a ignorância promessa que não se cumpriu E o direito dos manos? Vocês, perfeitos e urbanos Não têm defeitos e os anos passam Bons empresários que fracassam como seres humanos Seres urbanos ultrapassam os limites pelos planos da empresa Foda-se a natureza e os danos que amassam a raiz do país Tiranos, entregam a corda dizendo façam Sem cacique, só cacife é o que quer o homem branco Antes a pele vermelha no chão Do que a conta vermelha no banco