Os Terríveis Seres Encurvados

Os Terríveis Seres Encurvados lyrics

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No cafundó das capoeiragens Sob aguaceiro destampado Zé Umburana e Quincas Brejeiro Vinham de poncho encharcado Pela baixada do Córrego Fundo O temporal vinha azedo Cada relâmpago alumiava os morros Feito garrancho de medo As mulas batiam o beiço Na lama preta da vereda E um jatobá descomunal Vergava a copa na ladeira Ô ribombo das Bibocas fundas Quem remexe no seu breu Tem segredo debaixo d’água Tem vivente que apodreceu Quem escuta aqueles roncos Na furnagem do grotão Vai perdendo o rumo inteiro Feito folha de enxurrão Quincas Brejeiro jurava Ter ouvido rezingaria Vinda dum buraco esconso Na pedreira da baixía Zé Umburana deu de ombros Cuspiu fumo pro barranco Mas o trovão rachou o vale Num estrépito muito branco O jatobá veio abaixo Com estrondo de pedreira Rebentando barro e lajes Na garganta da groteira E o chão das furnas cedeu Feito pote rebentado Desabando uma caverna Sob o matagal molhado Ô ribombo das Bibocas fundas Quem remexe no seu breu Tem segredo debaixo d’água Tem vivente que apodreceu Quem escuta aqueles roncos Na furnagem do grotão Vai perdendo o rumo inteiro Feito folha de enxurrão Veio um bafo das entranhas Com fedentina de enxofre E uns seres de casco e espinha Subiram daquele cofre Tinham boquinha de surubim Olhadura de coruja Couro grosso de barranco E dentuça caramuja Uns gemiam feito gente Outros riam feito gralha E um maior carregava Crina branca de navalha Quincas caiu de joelhos Rezando coisa sem tino Zé puxou da peixeira Feito boi arisco e mofino Mas os bicharros cercaram Os dois homens do baixão Sob o toró desabando Na noite sem compaixão Ô ribombo das Bibocas fundas Quem remexe no seu breu Tem segredo debaixo d’água Tem vivente que apodreceu Quem escuta aqueles roncos Na furnagem do grotão Vai perdendo o rumo inteiro Feito folha de enxurrão Quando a manhã amareleceu Sobre os cerros da lonjura Só restava um couro velho Boiando pela gordura Nem as mulas regressaram Pra tulha do casarão Só se ouviam uns assobios Pelos bambus do brechão Hoje em mês de tempestade Quem campeia no espigão Ouve rezas engolidas Na fundura do grotão E há quem veja sob a chuva Junto aos marnéis do capinzal Uns viventes encurvados Rumo à cavidade mineral Ô ribombo das Bibocas fundas Quem remexe no seu breu Tem segredo debaixo d’água Tem vivente que apodreceu Quem escuta aqueles roncos Na furnagem do grotão Vai perdendo o rumo inteiro Feito folha de enxurrão