Onde Dormem Nossos Ossos

Onde Dormem Nossos Ossos lyrics

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O portão range, um hálito pútrido irrompe A relva expele o chorume que rompe Cruzes se erguem, como costelas de argila Presas ao ventre da noite nunca tranquila Sob o limo, o pus de eras remotas Baratas rezam ladainhas ignotas Vermes escrevem o nome de Deus Em grafias de muco e restos seus Os crânios falam com língua partida A carne morta ainda convida Escuto espectros rangerem nos jazigos Como memória de antigos castigos Dormem ossadas, mas pensam ainda A mente é verme que nunca finda E quem visita o que apodrece Leva o inferno que mais merece O oxigênio é espesso, necrótico Cheira à ideia do fim hipnótico Um abutre tomba, e o som que o segue É a gargalhada de quem o persegue Entre os ciprestes, larvas ressoam Múmias em pó lentamente ecoam Há fungos santos, em missão profana Consumindo a fé que em pedra emana Um verme sobe, um filósofo insano Devora os nomes do desengano Pois todo vivo é uma carniça adiada Em decomposição apenas disfarçada Dormem ossadas, mas pensam ainda A mente é verme que nunca finda E quem visita o que apodrece Leva o inferno que mais merece A morte zomba com arcada de ferro Mastiga o orgulho, saboreia o desterro Beija o que implora e o que blasfema E tudo engole, sem nenhum dilema No fim do campo, o fogo-fátuo é ácido Sopra de mundos de horror pálido Ali o espaço é órgão do nada E o tempo apodrece, sem mais jornada Saio do cemitério, mas algo me segue Um hálito antigo diz: Que nunca sossegue Talvez seja eu quem jaz ali Talvez o morto seja quem ri Dormem ossadas, mas pensam ainda A mente é verme que nunca finda E quem visita o que apodrece Leva o inferno que mais merece Saio pelo portão e peço licença, enfim Exu Caveira, sempre afaste o mal de mim! Dormem ossadas, mas pensam ainda A mente é verme que nunca finda E quem visita o que apodrece Leva o inferno que mais merece