O Ancião Rezador

O Ancião Rezador lyrics

Original languagePortuguese
Lyrics coordinates

Original lyrics

PT
Translation not available yet. Showing the original lyrics.
18
No alpendre a tarde desce pela cerca Vai dourando o esteio antigo do paiol Na caneca o café guarda sua fumaça E um sabiá encanta o terreiro ao pôr do sol No tamborete gasto senta o velho negro Rosário, fumo de corda e pés coçando o chão Perto dele até o relógio desapressa Vive na tranquilidade de sua solidão Saravá, Preto-Velho Ancião mestre do lugar Quem escuta suas palavras Começa a se transformar Abençoado, Preto-Velho Sob a sombra do quintal Seu conselho vale mais Que qualquer riqueza ou capital Veio um homem carregando desavenças Veio outro remoendo antiga ingratidão Veio uma mãe com retrato na bruaca Veio um filho com remorso e confusão O monjolo respondeu lá na baixada Sacudindo a noite mansa do grotão Preto-Velho ouviu tudo sem palavra Remexendo o pó de fumo na mão Saravá, Preto-Velho Ancião mestre do lugar Quem escuta suas palavras Começa a se transformar Abençoado, Preto-Velho Sob a sombra do quintal Seu conselho vale mais Que qualquer riqueza ou capital Disse apenas: Veja o curso da água mansa Nem o rio corre reto até o mar A enxada perde o fio quando se exalta E o machado cego só consegue espatifar Há espiga que amadurece mais tardinha Há geada que não dura uma estação Muito pranto vira adubo da lavoura Quando encontra terra boa no coração Longe um carro de boi enguiça na subida A candeia vai crescendo no barracão Pela estrada já se espalha a noite escura E as estrelas acendem em linda visão Mas o velho permanece em seu silêncio Com o cachimbo repousado no jirau Fez do tempo companhia de muitos anos Fez da calma um patrimônio sem igual Saravá, Preto-Velho Sábio bondoso do lugar Quem escuta suas palavras Sempre começa a se transformar Bendito seja, Preto-Velho Guardião do divino conhecimento Seu conselho segue vivo Tratando qualquer sofrimento O café já esfriou sobre a madeira A candeia já perdeu parte do ardor Só ficou na casa simples da memória A voz Serena do velho rezador Saravá, Preto-Velho Abençoado seja