Maria Navalha, Mulher de Destino

Maria Navalha, Mulher de Destino lyrics

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Nas ruelas de luz vencida Há quem conte sua descida Mulher que corta o que não presta E acende a alma na hora certa Na calunga, toda falange inclina Pois sua feição séria caminha Com cigarro e faca contida Benze o perdido e devolve a vida O colar brilha no breu cerrado Feito promessa de mal cuidado Sua pimenta é cruz, é sentença Abre o destino e dá consciência Maria Navalha, mulher de destino Entre o cemitério e o caminho Corta o mal, conserta o mundo E faz do fim o curar mais profundo Entre flores secas e ossos gastos Maria vela os mortos e até os fastos Fala com Exu, entende a morte No fio da sua lâmina mora toda sorte Ela conhece dores e degredos Quem a encontra, enfrenta os medos Ela bebe o pranto, desfaz o passado Em seu trabalho repousa o sagrado Sua palavra é remédio e corte Ela cura o corpo e depura a sorte Nunca julga, mas vê o coração E separa a mentira da compaixão Maria Navalha, mulher de destino Entre o cemitério e o caminho Corta o mal, conserta o mundo E faz do fim o curar mais profundo Ela sabe que navalha não fere em vão Que a dor ensina a justa direção Quem vence o outro, venceu primeiro O próprio tormento, oculto e inteiro Vem da rua, mas conhece o fim Calunga a chama, e ela diz assim Quem teme a morte não sente o destino Quem crê na vida refaz o caminho No último beco, o tempo cala E o povo acende vela e fala Navalha, malandra, senhora e guia Sua coragem é que nos alumia Maria Navalha, mulher de destino Entre o cemitério e o caminho Corta o mal, conserta o mundo E faz do fim o curar mais profundo Laroyê Maria Navalha, da boemía, da rua e da calunga Não tem lugar onde a senhora não esteja e cure, salve Maria Navalha, mulher de destino Entre o cemitério e o caminho Corta o mal, conserta o mundo E faz do fim o curar mais profundo