Joelma

Joelma lyrics

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18
Era manhã de Sol e labirinto O vidro brilhava em falso instinto No alto do prédio, um estalo breve Fez da rotina um peso que se atreve A chama veio do ar condicionado Um fio distraído, uma faísca, um dado E em poucos segundos, o corredor Virou garganta de fogo e pavor Gente correndo, o fumo espesso As vozes cortadas no mesmo endereço Quem procurava a escada aberta Achou a tragédia, densa e certa Não há inferno, nem paraíso Há só o fogo e o seu juízo Quem apela pra passado, ofende a chama Pois toda dor é quem se inflama Não há pecado no que se extingue Só a alma aleatória que se distingue Quem chama de carma o que foi calamidade Culpa as vítimas por sua fatalidade Uns se esconderam nas salas cheias Outros gritaram das sacadas cadeias E havia dezenas, no último andar Que apenas saltaram sem hesitar O fogo subia como sentença Devorava oxigênio, vidro e crença Cada janela era uma fronteira Entre a esperança e a fogueira As sirenes vinham, mas não bastavam Os anjos de carne já desmaiavam E os corpos caíam, um por um Feito estrelas cadentes, nada comum Não há inferno, nem paraíso Há só o fogo e o seu juízo Quem apela pra passado, ofende a chama Pois toda dor é quem se inflama Não há pecado no que se extingue Só a alma aleatória que se distingue Quem chama de carma o que foi calamidade Culpa as vítimas por sua fatalidade No elevador treze almas ficaram unidas De mãos dadas, nas despedidas Não houve prece, nem direção Apenas desespero e combustão A tarde chegou, mas nada efetivo Apenas fumaça e olhar cativo O prédio exalava um som vazio De almas presas num céu sombrio E à noite, o vento soprou memória Levando ao longe a mesma história Que o fogo não veio pra castigar Mas pra lembrar, o que é passar Não há inferno, nem paraíso Há só o fogo e o seu juízo Quem apela pra passado, ofende a chama Pois toda dor é quem se inflama Não há pecado no que se extingue Só a alma aleatória que se distingue Quem chama de carma o que foi calamidade Culpa as vítimas por sua fatalidade O joelma ardeu, mas não se apaga Na pedra o horror, na imagem a chaga O fogo cala, mas diz também A dor do homem não morre em ninguém Cento e oitenta e uma pessoas morreram Mas jamais serão esquecidas Não há inferno, nem paraíso Há só o fogo e o seu juízo Quem apela pra passado, ofende a chama Pois toda dor é quem se inflama Não há pecado no que se extingue Só a alma aleatória que se distingue Quem chama de carma o que foi calamidade Culpa as vítimas por sua fatalidade