Calunga

Calunga lyrics

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Sal grosso nas contas velhas Cinza fria no quintal A Calunga abre seus livros Sem cartório e nem sinal A Grande, veste corpo d’água A Pequena, veste cipó Uma recebe quilhas mudas Outra recebe adeus e pó Mais que praia ou cemitério Mais que espuma ou funeral É divisa que faz tremer O orgulho de todo mortal Se a vida troca de sala A Calunga sabe bem O que some da figura Muda de estado também Calunga, ê Calunga, ô Raia viva do além Quem se julgava inteiro Desaprende o que retém Calunga, Calunga Casa sem parede ou dono Na Grande vai a memória Na Pequena cai o trôno Na boca funda do Atlântico Muita fala se perdeu E no atabaque que responde Muita fala renasceu Cada risco no rosário Cada trança, cada lei Foi sinal de povo vivo Sob chicote de outro rei A Calunga Grande recebeu Pranto, canto, cicatriz E devolveu nos terreiros Um saber de matriz Calunga, ê Calunga, ô Raia viva do além Quem se julgava inteiro Desaprende o que retém Calunga, Calunga Casa sem parede ou dono Na Grande vai a memória Na Pequena cai o trono Na Calunga pequenina Cada lápide é biografia Cartaz gasto da matéria Na amostra da agonia Ali diploma, renda e cetro Valem menos que vintém Quem chegou cheio de posse Segue desnudo rumo ao Além Na flor murcha junto à cova Um recado de viuvez Tudo aquilo que se julga Some quando chega sua vez Calunga, ê Calunga, ô Raia viva do além Quem se julgava inteiro Desaprende o que retém Calunga, Calunga Casa sem parede ou dono Na Grande vai a memória Na Pequena cai o trono Calunga, Calunga Lei antiga sem compaixão Campo-santo, sal e estrela Na balança de nossa condição