As Viúvas do Coronel Basílio

As Viúvas do Coronel Basílio lyrics

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Na comarca de passa-quatro Houve um caso desgraçado Duas viúvas se engalfinhando Pelas terras dum finado Coronel basílio anthunes Morreu seco e de anemia Deixando mula, engenho, pasto Uma herança naquela pastagem fria Cleide morava acima Na fazenda do espinhaço Mulher dura de sobrancelha E rosário preso ao braço Já donana das palmeiras Tinha pupila de tentação Sabia reza de encosto E benzimento contra o cão Êta gleba de sangue antigo Quantas almas vai sorver Cada cerca levantada Faz defunto estremecer Quem disputa herança grande Sob luar de agonia Acorda os mortos antigos Mesmo na rotina do dia a dia Cleide trouxe tabelião Pra provar casamento Donana apareceu rindo Rasgando o documento Disse haver dormido anos Na cama do coronel E mostrou faixa bordada Com cabelo e declaração fiel Então vieram demandas Na igrejinha do arraial Rezas bravas, pragas velhas E despacho no milharal Toda noite alguém escutava Passos rente do curral E um cavalo sem cabeça Galopando no brejal Êta gleba de sangue antigo Quantas almas vai sorver Cada cerca levantada Faz defunto estremecer Quem disputa herança grande Sob luar de agonia Acorda os mortos antigos Mesmo na rotina do dia a dia Donana enterrava frascos Cheios de unhas e azeviche Cleide costurava Oração dentro do chiche Certa feita no terreiro Brotou chama azulada E a água do poço grande Apareceu talhada e amaldiçoada As galinhas amanheciam Sem os olhos e a garganta E um menino quase enlouqueceu Vendo sombra na varanda Depois acharam um bode Com dois nomes riscados Na barriga apodrecida Por espinhos e cravados Êta gleba de sangue antigo Quantas almas vai sorver Cada cerca levantada Faz defunto estremecer Quem disputa herança grande Sob luar de agonia Acorda os mortos antigos Mesmo na rotina do dia a dia Na sexta de Lua murcha As viúvas se encontraram Junto ao túmulo do morto E as lamparinas falharam Dizem ter surgido basílio Coberto de vermes e lodo Com o crânio quebrado E muita terra sobre o corpo Olhou longo pras duas mulheres Sem palavra nem gemido Depois afundou lentamente No barro do cemitério antigo No outro dia as fazendas Apareceram queimadas E as duas sumiram Sem deixar nem pegada pelas matas E foi assim Êta gleba de sangue antigo Quantas almas vai sorver Cada cerca levantada Faz defunto estremecer Quem disputa herança grande Sob luar de agonia Acorda os mortos antigos Mesmo na rotina do dia a dia