Alice Cooper na Nossa Nação

Alice Cooper na Nossa Nação lyrics

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Março pendurava anúncios Nos fios da Avenida Tiradentes São Paulo cheirava a gasolina Chiclete e cimento recente Na vitrine da Mesbla Os manequins nunca envelheciam Um rapaz vendia picolés Onde os ônibus estremeciam As bancas mostravam astronautas Ministros, atrizes e jogadores Os viadutos apareciam Mais depressa que as flores O mundo parecia ocupado Com assuntos de repartição Carimbos, fichários, elevadores Documentos em Pastas de papelão Nas janelas da São João Piscavam alguns letreiros quebrados A noite trocava de roupa Nos retratos dos envidraçados Ninguém falava seu nome Nos balcões das padarias Mas ele crescia nos cartazes Como uma dessas epidemias Em cada muro do centro Em cada nova publicação Como um erro persistente Ele de novo na mesma impressão Alice Cooper Com a cobra sobre os ombros Com os olhos pintados de carvão Bem ali, aquele pop star do horror Como um pesadelo na nossa nação Os locutores da Excelsior Liam notícias sem demora Mas havia um burburinho estranho Chegando de fora da hora Entre anúncios de apartamentos Loterias e liquidação Aparecia aquele homem estranho Pintura na cara como um defeito na impressão Os barbeiros comentavam Os garçons davam versão Cada um aumentava um pouco A própria imaginação E quanto mais se comentava Menos cabia definição Como se o retrato mudasse Cada vez que passasse de mão As filas dobravam esquinas Sob o amarelo dos altos lampiões Alguns levavam binóculos Outros levavam canções O Anhembi guardava expectativa Tipo um teatro antes da função E cada minuto parecia Alongar a própria duração Vendedores atravessavam A corrente da multidão Misturando amendoim torrado Com euforia de empolgação O céu escurecia devagar Sobre o concreto do pavilhão Sim! Era como se a cidade aguardasse Alguma confirmação Alice Cooper Com a cobra sobre os ombros Com os olhos pintados de carvão Bem ali, aquele pop star do horror Como um pesadelo na nossa nação Quando as luzes se acenderam Ninguém falou por um instante Até o barulho da cidade Pareceu ficar mais distante São Paulo ficou menor Do que na tarde anterior E por algumas horas viveu Sob outra espécie de rumor Havia apenas aquele palco A fumaça e a iluminação O resto inteiro da cidade Pareceu ter saído do turbilhão Semanas depois, os cartazes Começaram a perder a cor Primeiro nos muros da Avenida Depois nas portas do elevador A chuva levou algumas letras O Sol apagou outras também Mas certos assuntos permanecem Mais tempo do que lhes convém E ainda havia quem jurasse Num balcão qualquer do centro Que nunca tinha visto São Paulo Estar tão vibrante por um momento Alice Cooper Com a cobra sobre os ombros Com os olhos pintados de carvão Bem ali, aquele pop star do horror Como um pesadelo na nossa nação