Carolina Maria de Jesus

Testo di Carolina Maria de Jesus

GenereReggae
Lingua originalePortoghese
Visualizzazioni15
Coordinate del testo

Testo originale

PT
Traduzione non ancora disponibile. Mostriamo il testo originale.
18
Vou abrir o meu diário para ler o inventário Das mazelas mais febris De sequela em sequela, da senzala à favela Nas entranhas do país Muitos fugiam de mim ou me olhavam sem me ver Preconceito marfim que me fez aprender Escapar dos lixões e da submissão Mas não me anulei Do papel que catei fiz abolição E vi que a dor que não sai nos jornais Vem dos meus ancestrais falsamente libertos Pra quem faz papelão de mobília Casa de família é o caminho mais certo Ê canindé, cada um com sua cruz Ê canindé, eu também sou de Jesus Sinto a fome do excluído Sente o gume do facão Vim dar nome ao esquecido Sem registro ou certidão Negro drama Sem nenhum futuro, na terra batida É a trama, os murros e muros, cidade partida A grana nos condomínios e seus perdulários Pelo domínio de mais proletários A desigualdade é a chama da inquietação Tijuca dá lugar de fala a um quarto de despejo A letra retinta tornou-se lampejo Traz escrevivências pra denunciar A dor de quem tem fome É o desprezo de quem come Só quem viveu pra contar (Carolina) Maria de Jesus e dos brasis Não há amarra que vá nos fazer parar Um livro aberto fala mais que mil fuzis Abre a porta social pro meu Borel entrar