Nêgo Véio Sofreu...

Testo di Nêgo Véio Sofreu...

GenereSertanejo
Lingua originalePortoghese
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Testo originale

PT
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No porão do tumbeiro arfava o sal da gangrena Cal virando catarata na córnea da pequena arena E ele, menino ainda, entre grilhões e ferrugem Ouvia o mar engolir nomes na funda salsugem Nas plantações, o chicote, víbora de couro e cobre Abria constelações de sangue no dorso pobre Cada golpe tinha um padre, um feitor, uma sentença E a Lua escondia a face na fuligem da crença Carregava pedra e cana sob o Sol das fornalhas Vendo sinhás nas janelas e cães rondando muralhas A febre lhe fez do peito uma capela rompida Onde até Deus entrava mudo e saía sem vida Nego véio sofreu Na fumaça e na pemba, ele chama quem caiu E enxuga pranto antigo na mão que o mundo feriu Seu rosário de cinzas clareia o coração Velho escravo sem sepulcro, hoje ensina oração Nego véio sofreu Na fumaça e na pemba, ele chama quem caiu E enxuga pranto antigo na mão que o mundo feriu Seu rosário de cinzas clareia o coração Velho escravo sem sepulcro, hoje ensina oração À noite, no eito escuro, rezava sem catecismo Falando aos mortos da mata no idioma proibido Um velho tambor de Angola, soterrado na memória Batia dentro dos ossos sua elegia ilusória Veio depois a velhice, ferragem, catarro, ruína Com reumatismos de brasa queimando a carne mofina Já nem lembrava o próprio nome africano perdido Só um negro sem pátria no açúcar apodrecido Morreu numa vala rasa, sem vela, sem sacramento A chuva lavando o barro do exausto sepultamento Ninguém chorou sua ausência no engenho de pedras frias Somente um vento de agosto carpindo cinzas vazias Nego véio sofreu Na fumaça e na pemba, ele chama quem caiu E enxuga pranto antigo na mão que o mundo feriu Seu rosário de cinzas clareia o coração Velho escravo sem sepulcro, hoje ensina oração Mas quando a noite tombava nos terreiros esquecidos Apareceu entre as brasas baixas e os pontos adormecidos Trazia cachimbo antigo, bengala de alecrim E uma sabedoria tão profunda que parecia não ter fim Agora atende os aflitos sob estrelas fatigadas Curando moças sem sono e mães tristes, desamparadas Cada conselho que entrega tem luz e clemência Como quem traz nos ombros séculos de penitência Quando incorpóra no terreiro, a assistência se inclina Porque há oceanos inteiros na voz mansa e peregrina E quem escuta seu ponto, entre velas e aruanda Ouve a África chorando dentro da velha umbanda Nego véio sofreu Na fumaça e na pemba, ele chama quem caiu E enxuga pranto antigo na mão que o mundo feriu Seu rosário de cinzas clareia o coração Velho escravo sem sepulcro, hoje ensina oração