Matuto nas Oropa

Testo di Matuto nas Oropa

AlbumAmazan
Anno1991
GenereForro
Lingua originalePortoghese
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Coordinate del testo

Testo originale

PT
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Seu moço, preste atenção Que eu vou contar sem frescura Algumas das aventura Dessa vida que labuto Derna de pequeno eu luto Pra andar sempre na linha Só faço mal à farinha Que é comida de matuto Desde menino eu vivi Trabalhando no sertão Plantando milho e feijão Comendo arroz e fubá Rapadura, mungunzá Panelada e mocotó Andava em todo forró Doidinho pra me casar Assim, seu moço, eu vivia Sem luxo, sem vaidade Ia pouco na cidade Não via coisa granfina Porém mudei de rotina Daquele dia pra cá Que aprendi a tocar O diabo da concertina Pois derna daquele dia Fui melhorando de sina Pegava na concertina Encaixava, ela gemia Os amigo me dizia Tu com essa bicha na coxa Sei que ela é meio frouxa Mas tu tem capacidade Se tu for para a cidade Arruma mulher de trocha Num dia de sexta-feira Eu tomei a decisão Arrumei o matulão Botei a sanfona em riba Peguei a sopa na esquina E fui bater em Campina Cidade da Paraíba Chegando em Campina Grande Eu entrei logo em ação Tocando xote e baião Pra mode o povo escutar Tocava em qualquer lugar Nos forró, nas gafieira No meio das ruas, nas feira Até em mesa de bar Fui ficando conhecido E fui armando o esquema Até conhecer um dia Tropeiros da Borborema Tropeiros da Borborema Grupo de dança afamado Pra fazer parte do mesmo Eu então fui convidado E aceitei o convite Feito pelo diretor Passei a ser tocador Oficial dos tropeiro Eita, que grupo afamado! Não é que foi convidado Pra tocar no estrangeiro? Pra ir dançar na Itália França, Espanha e Portugal Todos acharam legal Eu também fui escalado Fiquei feliz e animado Mas mudei de opinião Ao saber que de avião Nós ia ser transportado Eu digo: O diabo é quem vai! Não vou nem com a caixa bata! Voar num pássaro de lata? Eu acho muito arriscado E se tiver enferrujado Ou lá em cima cansar? Cai logo dentro do mar Nós morre tudo afogado Animação dos Colegas Mas os colega do grupo Pegaram a me animar Começaram a me explicar Que não ia ter perigo Depois de muito conselho Lá num canto me sentei Peguei a falar comigo Eu já montei em cavalo Já amansei burro brabo Já peguei boi pelo rabo Nunca me enganchei com nada Que dirão meus camarada Que no sertão eu deixei Se souber que eu afrouxei? Vão me chamar de coalhada É, o jeito vai ser eu ir Eu não tenho outra saída Não fiz história comprida Tomei logo a decisão E no dia da viagem Ajuntei minha bagagem Fui pegar o avião Cheguei no aeroporto Despachei logo a bagagem Eu tava até com coragem Mas não era muita não Mas na hora, meu patrão Na hora de embarcar Eu me danei a suar Chega pingava no chão Peguei com uma tremedeira Não sabia o que fazer Me preparei pra correr Os colegas não deixaram Bem uns três me agarraram Puxaram de porta adentro Me plantaram no assento Do meu lado se sentaram Daí a pouco o piloto Pegou mostrar num cinema Se tivesse algum problema Como é que o nego escapava Umas máscara despencava Umas porta se abria Quanto mais aquilo eu via Era que o medo aumentava Depois, o tal do piloto Que dirige o avião Mandou apertar o cinto Eu saltei no cinturão Dei um arrocho tão grande Que quase sai o feijão Sei que o bicho começou Dá uma desambestada Numa carreira danada Que chega açoitava o vento Foi levantando do chão E quando eu dou fé, patrão Tava das nuvem pra dentro Depois lá vem uma moça Com um molho de toalha quente Pensei que era tapioca Fui logo metendo o dente Uma toalhinha branca Assim bem enroladinha Quando eu vim ver o que era Tinha comido todinha Deu-me uma dor de ouvido Dessas de endoidecer Me levantei da cadeira Sem saber o que fazer Sem que ninguém impedisse Cheguei no piloto e disse Pare aí que eu vou descer! O cabra quis achar graça Mas viu que eu ia engrossar Mandou eu tampar a venta Pela boca respirar Engula o cuspe seguido Dessa maneira os ouvido Açoita pra fora o ar Sei que cheguemos em Madri Eu desci do avião Por dentro duma sanfona Cumprida que só o cão Tomei a bênção a Jesus E fiz o sinal da cruz Depois que pisei no chão Dentro do aeroporto Vi uma porta engraçada Pra mode o nego abrir ela Não precisa fazer nada Basta pisar no tapete Que ela fica escancarada Porém, como eu não sabia Fui empurrar com a mão Na mesma hora pisei No tapete, a porta então Abriu-se, eu passei direto Prantei a cara no chão Pra pedir uma comida Era a maior enrolada Ninguém entendia nada Eu me danava a apontar Que povo mais enrolado Cada cabrão velho barbado Sem aprender a falar! Feijão lá ninguém não vê Cuscuz, farinha, xerém Carne de sol lá não tem Mode servir de mistura Tô dizendo sem frescura Nunca vou ser convencido Que lá é desenvolvido Pois não tem nem rapadura De nove hora da noite O sol ainda tava quente Nos bar não tinha aguardente Nem pitu e nem brejeira Ninguém dança gafieira E pra falar a verdade Eu senti muita saudade Do picado lá da feira Num bar pedi um galeto Porém o nome era polo Na hora eu quase me enrolo Não sabia o que fazer Polo eu não vou comer Porque pode ser o sul Aí eu tomo no cu Quando o gelo derreter Eu tinha muita vontade De pegar um bom feijão Arrochar farinha nele Depois amassar com a mão Sentado num tamburete Fazer aqueles bolete Que a gente chama cancão Fui comprar uma cueca O cabra não entendeu Era eu dizendo: C-U-E-C-A E ele olhando pra eu Aí eu disse: Cirola! Também não entendeu não Eu disse: Samba canção! O cabra ficou calado Eu já estava enfesado Desci a calça todinha Mostrei a cueca minha É isso aqui, condenado! Um dia meus companheiro Disseram: Vamos aculá Vamos na danceteria Eu disse: Opa, vamos lá! Hoje esse povo vai ver O que é um cabra dançar Mas quando eu cheguei na porta Avistei o estrupício Eu digo: O que diabo é isso? Disseram: É um clube moderno A luzarada piscando Os cabra tudo saltando Eu digo: Eu tô no inferno! Me sentei numa cadeira Fiquei só observando Os cabra tudo saltando As nega tudo assanhada No meio daquela cambada Fiquei meio incabulado Passei a noite sentado E voltei sem dançar nada Depois nós fumo pra França E eu fiquei hospedado Na casa dum pessoal Muito bom e educado Porém eu só não gostava Quando o dia amanhecia Deixar a cama macia Que nem carne de caju Dizer pra eles Bom dia! Sabe o que eles respondia? Tudo duma vez: Bonjour! Mas eu vou contar também Algumas das palhaçada Que eu pude observar De alguns dos camarada Ainda no aeroporto Nós fumo pra uma sala Pra numa tal de esteira Cada qual pegar as mala E quando as malas apontaram Eu escutei uma fala Dizer: Pega minha mala Senão volta pra Campina! Era uma das menina Que vinha em toda carreira Caiu por riba da esteira Perdeu até as botina E o Marcos do Rojão No hotel se enrolou Foi a maior confusão Pra pedir um cobertor Primeiro pediu lençol A mulher disse: Senhor? Ele disse: Um cobertor A mulher ficou olhando Aí ele disse: Um pano Coberta, Dona Maria Quanto mais ele pedia É que ia piorando Após gesticular muito E ter cansado a garganta Foi que a mulher disse: Ah Meu senhor, una manta! Até o vereador João Dantas, cabra letrado Entrou numa lanchonete E foi saindo apressado Não viu a porta de vidro Prantou nela o pé do ouvido Caiu pra trás assentado Teve muita coisa mais Mas eu não vou contar tudo Se eu fosse contar miúdo Passava a noite contando As palhaçada todinha Junto as dos outro e as minha É coisa pra mais de ano Mas tem uma novidade Que eu preciso lhe contar No dia de regressar Não tive mais medo não Pode acreditar, patrão Que eu fiquei abestaiado De ter me acostumado Com o tal do avião Sei que deixei as Europa Arribei de lá pra cá Não é falando de lá Porque lá é bom também Mas uma coisa convém Eu dizer com mais de mil Eu não troco o meu Brasil Por Europa de ninguém!