O Afilhado Do Senhor Das Serpentes

Paroles de O Afilhado Do Senhor Das Serpentes

Langue originalePortugais
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Nas margens de um rio de sombras esquecidas Onde o tempo se perde em voltas recorrentes Nasceu um menino, de escolhas divididas Tendo por padrinho o senhor das serpentes Não houve batismo com água da fonte Mas um pacto selado em chama de brasa O diabo, em pessoa, riscou o horizonte E disse ao afilhado: O mundo é sua casa Cresceu o rapaz com a sorte na mão O ouro brotava onde ele pisava Tinha o poder da persuasão e o domínio da sedução E tudo o que queria, o abismo lhe dava Mas quem tem a sombra por guia fiel Sente o frio do pacto em cada estação O céu, para ele, era apenas um véu Pois dentro do peito pesava a solidão O afilhado, porém, de astúcia tamanha Sabia que a alma é o preço final Jogou com o mestre, em uma estranha fachada Num jogo de dados, o bem contra o mal Dizem que venceu por um triz, por um nada O contrato rasgado em cinza e fumaça E embora vivesse uma vida dourada Ficou-lhe a marca, a eterna desgraça Pois quem foi afilhado de tal soberano Não busca o perdão, nem almeja o clarão Vagueia entre o mito e o resto humano O homem que venceu, mas perdeu o chão