Lisboa que Amanhece

Letra de Lisboa que Amanhece

Año1986
Duración5:02
Idioma originalPortugués
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Letra original

PT
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Cansados vão os corpos para casa Dos ritmos imitados doutra dança A noite finge ser Ainda uma criança de olhos na lua Com a sua Cegueira da razão e do desejo A noite é cega, as sombras de Lisboa São da cidade branca a escura face Lisboa é mãe solteira Amou como se fosse a mais indefesa Princesa Que as trevas algum dia coroaram Não sei se dura sempre esse teu beijo Ou apenas o que resta desta noite O vento, enfim, parou Já mal o vejo Por sobre o Tejo E já tudo pode ser Tudo aquilo que parece Na Lisboa que amanhece O Tejo que reflecte o dia à solta À noite é prisioneiro dos olhares Ao Cais dos Miradouros Vão chegando dos bares os navegantes Errantes Das teias que o amor e o fumo tecem E o Necas que julgou que era cantora Que as dádivas da noite são eternas Mal chega a madrugada Tem que rapar as pernas para que o dia Não traia Dietriches que não foram nem Marlenes Em sonhos, é sabido, não se morre Aliás essa é a única vantagem De após o vão trabalho O povo ir de viagem ao sono fundo Fecundo Em glórias e terrores e aventuras E ai de quem acorda estremunhado Espreitando pela fresta a ver se é dia E as simples ansiedades Ditam sentenças friamente ao ouvido Ruído Que a noite, a seu costume, e transfigura Na Lisboa que amanhece