Casqueador

Letra de Casqueador

GéneroNativista
Idioma originalPortugués
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Letra original

PT
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Na vastidão da pampa, já no romper do arrebol O casqueador em seu ofício começa antes do Sol Nas mãos a turquesa brilha, na cintura o alicate E o couro macio da raspa que na lida é seu quilate Cavalo e potro domado num andar de contradança O casco firme e ajustado é o chão que dá confiança Olhar de quem conhece, lida de quem não inventa Entra ano e sai ano, e outra tropilha se sustenta A faca limpa a ranilha, o cinzel, casco crescido A raspadeira que alinha, o compasso bem medido O suor desce da testa, mostra a força do labor De tudo o que é importante na vida do casqueador O ferro aquece na brasa a ferradura moldada Cheiro de couro e fogo na alma que está forjada O bater do martelo e o raspador a ressonar É a canção do casqueador que ecoa pelo lugar Por vezes um casco racha e o trabalho se endurece Tal a vida que se leva enquanto o tempo o envelhece Segredos do campo bruto que leva em seu olhar E quem lhe guarda a esperança do futuro melhorar São as agruras do tempo, vento, chuva e tempestade Que moldam nossas vidas nesses tempos de vaidade E o chão duro da querência que o potro pisa e pateia Deixa marcas só naquele que pra vida se encandeia O tempo passa ligeiro, vai diminuindo a distância Como moldar sua vida, se a alma espera mudança Sempre haverá mil cavalos galopando sobre a terra Até quando as suas mãos vão suportar esta guerra E assim segue a jornada no ofício de casqueador Cuidando casco de potro, domando sua própria dor Os cascos que ele cuida são as razões do bem fazer E haveria outro caminho na sina desse viver?