Os Olhos do Meu Cavalo

Songtext von Os Olhos do Meu Cavalo

Dauer5:21
OriginalsprachePortugiesisch
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Aos poucos vão indo embora As coisas que eu mais gostava... Quando morreu meu cavalo Por certo Deus descansava. Era uma tarde de outubro Com silêncio de sol-por Um vento nas madressilvas Ventava anúncios de dor. No céu azul do potreiro A corvada, em vôos rasos, Trazia garras de morte Mas a gente nem fez caso. Quando a manhã veio cedo Na recolhida pra encilha Faltava um baio cebruno Na forma da minha tropilha. Um peão de olhos baixos De freio e mango na mão Me disse com dor na alma: - Morreu seu baio, patrão! As crinas entre as macegas Cardavam teias de aranha Que a manhã, ainda agora, Tinha posto na campanha E os olhos do meu cavalo Que há pouco não viam nada... Já tinham ganhado o céu Pelas garras da corvada! Ficou um silêncio largo Talvez faltando um relincho... Só um choro pelo arame Pelo cantar dos pelinchos. Olhando o baio estendido Pensei, bem quieto, comigo... Isso não é coisa, parceiro Que se faça com um amigo! Coisa triste de se ver Um amigo desse jeito... Ontem mesmo lhe apertei A cincha no osso do peito! E hoje lhe vejo assim Posto em partida, sem viço... Se Deus bem sabe o que faz Não tava sabendo disso! Se vai embora o meu baio O pingo que eu mais gostava Quando morreu meu cavalo Por certo deus descansava!